No dia 10 de março é celebrado o Dia da Guitarra. Essa data teria origem argentina, pelo nascimento de Norberto “Pappo” Napolitano, ídolo do instrumento e ex-integrante da banda Riff. Com o tempo, a data foi ganhando força entre os adeptos e amantes dos acordes.
A guitarra tem origem em instrumentos de cordas europeus que se desenvolveram a partir do alaúde árabe e da vihuela espanhola, ganhando uma forma parecida com a que conhecemos hoje na Espanha. No século XIX, luthiers como Antonio de Torres Jurado ajudaram a definir o formato e a construção da guitarra clássica.
Já no século XX, nos Estados Unidos, o instrumento passou por uma transformação decisiva: veio a criação da guitarra elétrica nos anos 1930, inicialmente pensada para ampliar o volume das bandas de jazz. Fabricantes como Rickenbacker, Fender e Gibson ajudaram a popularizar o novo formato, que hoje pode variar entre seis e doze cordas.
No Brasil, a guitarra se populariza de vez com a Jovem Guarda, mas, como se sabe, sua adoção não foi unânime: chegou a ser rechaçada na famosa “Passeata contra a guitarra elétrica”, de 1967, quando artistas marcharam contra o instrumento por acreditarem que descaracterizariam a música nacional. Pouco a pouco, o sentimento foi superado e muitos deles, de Gilberto Gil a Elis Regina, se renderam aos riffs em suas discografias.
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Para marcar a data, pedimos para cinco guitarristas nos contarem os acessórios que andam sempre com elas: pode ser pedal, cordas, paleta da sorte… De nomes consagrados, como Lucinha Turnbull, primeira guitarrista brasileira e ex-parceira de banda de Rita Lee, a Bijoux Cone, guitarrista do The Gossip, passando pelo destaque do metal, Jéssica Falchi, a Julie Moura, da banda Berta Lutz, fechando com a revelação de Rayane Fortes, essas mulheres e pessoas queers revelam os itens que fazem parte da relação cotidiana com o instrumento. Confira abaixo:
Bijoux Cone, guitarrista e integrante da banda de apoio do The Gossip
“Não consigo viver sem as minhas palhetas gigantes. Elas são extra grandes e eu não consigo tocar sem elas, porque eu sempre estou com unhas de acrílico longas na mão direita. Meus amigos chamam de ‘palhetas de Doritos’ rs. Um dia, quero fazer minhas próprias palhetas grandes personalizadas para femme queens.”
Jéssica Falchi, da banda Falchi
“Poderia escolher vários, mas não vivo sem cordas. Passei muito tempo na infância estudando com uma guitarra que não era bem regulada, com as cordas super altas — mas, como morava em uma cidade pequena, sem luthier, essa regulagem foi meu padrão. Com o tempo, me acostumei e isso reflete na forma como eu gosto da regulagem hoje: cordas altas e calibre pesado. Tudo adaptado pro meu jeito estranho de tocar [risos].”
Julie Moura, guitarrista da Bertha Lutz, RÄIVÄ e Oldscratch
“Sempre levo comigo um jogo extra de cordas. Afinal, a gente nunca sabe quando uma corda vai pocar, mas quando poca, pode crer que vai ser num momento complexo pra conseguir comprar [risos]. A última vez que isso aconteceu comigo, foi no ensaio da noite anterior a um show. Troquei rapidinho e segui a vida.”
Lucinha Turnbull, guitarrista
“Tem uma correia que eu uso sempre, dos Beatles — inclusive, está ficando velha! Sou apaixonada por eles desde os 11 anos. Ganhei do Márcio Lomiranda, que é um grande amigo e padrinho da minha filha. É o objeto que está sempre comigo. Levo também um cabo Vox, que era a marca dos Beatles e que todas as bandas dos anos 60 usavam.”
Rayane Fortes, guitarrista e cantora
“Na hora de tocar, um item que não vivo sem é o meu ampli FRFR, da Laney. No meu setup, uso simuladores no pé, além de todos os meus efeitos. Então, ele funciona como uma caixa full range que amplifica exatamente o que eu estou usando nos meus simuladores e pedais, sem alterar o timbre.”




