5 lojas de discos para conhecer em Belém; confira lista

14/11/2025

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Por: Vitória Prates

Fotos: Arquivo Pessoal

14/11/2025

Belém mantém viva a tradição do vinil com lojas que são verdadeiros pontos de encontro para colecionadores, músicos e curiosos. Conversamos com cinco lojistas à frente de empreendimentos dedicados aos LPs, entre lojas físicas e online, mas todos com acervo localizado na capital paraense.

Wilian Victor da Silva Campos, de 32 anos, é engenheiro e servidor público, mas há cinco anos também se dedica a outro universo: o do vinil. Sua loja, a Pavulagem Discos, nasceu de uma paixão pessoal. Wilian já pesquisava música paraense por conta própria e mantinha um perfil no Instagram onde compartilhava informações sobre artistas da região. 

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A loja surgiu como uma forma de financiar sua coleção. Durante garimpagens, encontrou uma oportunidade de adquirir lotes de discos, como lembra: “Fui na casa de um rapaz que só venderia os discos se eu levasse no mínimo 10 unidades e saí de lá com mais de 60 LPs, incluindo a coleção completa dos Beatles”, relembra ele. 

“O vinil nunca saiu de moda em Belém e está ligado à cultura local há décadas através das festas de bairros comandadas pelos sonoros que, posteriormente, nos anos 1980, evoluíram para as aparelhagens”

O colecionador continua: “Nestas festas, ainda existe muita discotecagem em vinil, principalmente do brega, lambada e o merengue”, afirma.

Leonardo do Vale Bitar, do Discosaoleo, é um colecionador de vinis desde a infância. Apaixonado pelo formato, ele acredita que “o vinil é a melhor forma de ouvir música”.

“A relação com o vinil é mais íntima, você mergulha na obra de forma mais única. Você compra um disco e sabe que ele vai durar, pelo menos, 100 anos [risos].” 

Com 10 anos de existência, a Discosaoleo é mais do que uma loja: é também um espaço de shows para artistas locais e ponto de encontro de uma comunidade de apaixonados por vinil em Belém. 

“Vem muita gente na loja para ouvir o disco e trocar ideia, acho isso muito legal”, conta Leonardo. Embora em Belém seja fácil encontrar bancas e sebos, o foco da Discosaoleo está em discos novos. O catálogo privilegia rock e MPB, mas Leonardo faz questão de manter também uma seção dedicada à música nortista. 

Além da loja, ele lançou seu próprio selo fonográfico. Artistas como Molho Negro, Ana Clara, Walter Freitas, Dulce Quental, The Tump!, Meio Amargo e Pratagy já passaram pelo catálogo. Sobre o possível aumento do movimento com a realização da COP30 em Belém, Leonardo admite que ainda é uma incógnita, mas segue otimista com o futuro da cena musical e da cultura do vinil na cidade.

“O vinil nunca saiu de moda em Belém”

Na cena de DJ’s da cidade, uma das figuras carimbadas é Duda Belém, persona artística de Eduardo José. Em novembro, Eduardo e a loja fazem aniversário. A Play Back completa dois anos e Eduardo, 58, junto com uma vida que anda lado a lado com o vinil. 

Desde 2014, Eduardo compra e vende discos em casa, alimentando o sonho de abrir uma loja própria. Com o incentivo e apoio de sua esposa, Rejane, ele deu o passo rumo ao empreendedorismo e hoje a Play Back é uma realidade consolidada em Belém. 

Para ele, as gerações mais jovens vem puxando o crescimento do vinil. Localizada na região central, a loja conta com acervo que vai de ritmos tradicionais a MPB. “O som paraense tem identidade e valor, atrai muito público”, diz.

“O vinil vive um momento incrível. Os jovens estão redescobrindo o prazer de ouvir música de verdade, com som, capa e alma”.

Outro DJ no ramo do vinil é Fernando Augusto, do Mangue Boy Discos, há mais de dez anos na área. “Como músico, já tinha um acervo muito grande. Transformei uma banca de revista no centro da cidade em loja, e ela acabou virando minha banca de música”, diz ele. 

Além da banca, Fernando participa de feiras, seja tocando ou como expositor, e todo domingo, bate cartão na Praça da República. O nome da loja, ele conta, é uma homenagem a um dos seus grandes ídolos, Chico Science, precursor do manguebeat. 

Com uma cena musical tão efervescente, com nomes como Fafá de Belém, Joelma, Gaby Amarantos, Pinduca e Mestre Verequete, os turistas se apaixonam pela cidade. “A Cop 30 está trazendo muitos turistas para Belém. Eles sempre vem atrás da música regional, estou com um acervo grande em carimbó e outros ritmos tradicionais”, conta Fernando. 

Paixão hereditária

“O colecionismo é algo que passa de pai para filho”, confessa Max Nascimento, do Max Discos. No ramo do vinil há 34 anos, ele viveu em casa essa paixão compartilhada pelos bolachões, abrindo a loja com seu pai, nos anos 90, no centro da cidade. 

Assim como Fernando, todo domingo Max expõe na Praça da República, “Trago sempre alguma novidade no acervo. O paraense adora rock, hip-hop e muita música regional”. 

Desde 2010, ele percebe um aquecimento do mercado. O futuro da loja, diz, “pertence a Deus”, mas não esconde o próprio sonho: “Quero continuar nesse ramo para sempre. Sinto prazer em ouvir discos e descobrir músicas novas, ou antigas [risos]”. 

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14/11/2025

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Vitória Prates