Lançado em novembro, Pedras Vivas vol.2 (2025) é a segunda parte do álbum de estreia da Akhi Huna. A dupla — formada pelos irmãos Dila e Mansur Jp — traz participações globais em álbum que reflete sobre sua própria fé e ancestralidade.
De origem libanesa, Akhi Huna mergulhou na história da família para compor as 10 faixas. “Isso tornou a escrita mais pessoal. Foi muito importante para o sentimento geral dos discos, inclusive para os timbres e a sonoridade”, explicam, em entrevista à Noize.
Eles atravessam sonoridades e costuram referências, que vão do gospel à MPB, até o hip hop noventista, estilo que predomina no disco. “Nosso som diz muito sobre quem a gente é. Essas influências, que norteiam nosso trabalho hoje, estão presentes desde a nossa infância. Queremos nos surpreender e maravilhar o público, prezamos pelo frescor do som”.
O álbum, que chega um mês após Pedras Vivas (2025), conta com participações do palestino Youssef Abad (“Sangue e Continuação”) e dos brasileiros Thanise Silva (“3.2g”), Larissa Umaytá (“Crema de Gato”) e Pratanes (“Vamo embora, meu bem”).
Figuras carimbadas da cena independente do DF, os irmãos somam colaborações com outros artistas, como Luedji Luna, Gaby Amarantos e Letícia Fialho. Eles compartilham que ainda sonham em dividir o estúdio com Seu Jorge, Flora Matos, Djavan e Erykah Badu.
Confira Pedras Vivas vol.2 faixa a faixa:
“Sangue e Continuação”: a faixa que abre o disco, “sangue e continuação” conta com a participação do cantor palestino Youssef Abado que é nosso amigo e manager na Europa há um bom tempo, de grande generosidade e musicalidade. A letra é cantada em árabe e fala um pouco da história de parte da nossa família, versa sobre continuidade e diáspora.
“Dá Ideia”: linhas de baixo e groove envolvente, fazendo referência ao pop brasil dos anos 80 de Lincoln Olivetti e Robson Jorge.
“3.2g”: contamos com a participação da flautista, maestrina, arranjadora e produtora musical Thanise Silva. Temos a sorte de colaborar com ela já há alguns anos e estar com ela trabalhando e convivendo é uma experiência muito impactante já que ela é a instrumentista mais impressionante que já conhecemos. Coro de vozes, riffs de guitarra e timbres de bateria embalados em uma musicalidade que se assemelha com a aura de Pepeu Gomes e Luiz Caldas.
“Bondy“: versa sobre a possibilidade de se viver junto ou se distanciar, em contextos geográficos e sentimentais difusos. A canção é apoiada na levada e nos acordes do violão brasileiro.
“Nossa Raiz 3”: fala sobre vocação e propósito, canção fundamentada no violão e nas harmonias da música brasileira.

“Devoção”: fala sobre entregar-se de corpo e alma. Fazer de si um instrumento.
“Beleza Besta”: sobre a jornada e as coisas belas mas bestas que volta e meia nos distraem.
“Crema de Gato“: contamos com nossa irmã conterrânea sobradinhense Larissa Umaytá e que hoje está entre os melhores percussionistas do mundo.
“Nossa Raiz 4”: reflete sobre as primeiras influências musicais do duo e o contexto de ser um músico de ofício para além do trabalho autoral.
“Vamo embora, meu bem”: conclui em um sentimento de partida o início de uma nova criatura. Dividimos os vocais com Pratanes que é produtora, cantora e compositora de Taguatinga e também uma grande influência no que fazemos na música.