Ele é o momento! Desde sua apresentação no intervalo do Super Bowl, no dia 8/2, a América só fala em Bad Bunny. O fenômeno se reflete nos streams: ele foi o artista mais escutado no mundo em 2025, desbancando Taylor Swift que levou a melhor no ano retrasado.
No dia do anúncio da turnê, o álbum teve um pico de 90% na Deezer, para além de já ter registrado um aumento de 170% no número de streams no Brasil, segundo o Spotify — os dados foram fornecidos em primeira mão à Noize. E por falar em tour, o porto-riquenho se apresenta por aqui nesta semana (nos dias 20 e 21/2), fazendo seu debut em palcos brasileiros.
Lançado em janeiro de 2025, Debí Tirar Más Fotos chega depois da grandiosidade pop de Un Verano Sin Ti (2022) e da guinada experimental de Nadie Sabe Lo Que Va a Pasar Mañana (2023). O álbum, das letras à sonoridade, é uma carta de amor a Porto Rico.
Isso ficou comprovado em seu discurso no Grammy Latino, em que Bad Bunny dedicou o prêmio às crianças de Porto Rico: “Nunca deixem de sonhar. Não importa para onde vão, não se esqueçam de onde vieram”, disse.
Para além de exaltar a terra natal, o álbum também tematiza coração partido — seja pelo fim de um relacionamento ou até pela gentrificação de Porto Rico. Inteiramente gravado ao vivo na ilha, ele privilegiou participações locais, como os jovens da Escuela Libre de Música, que participam da salsa “Baile Inolvidable”, o bolero de “Turista”, a bachata de “Bokete” e jíbaro de “Pitorro de Coco”.
Bad Bunny construiu uma discografia marcada pela reinvenção. Em seu sexto álbum, porém, a ruptura não está no som, mas na postura, que reafirma Benito como um amante da cultura latino-americana, eleito pelo New Yorker como o “artista pop mais relevante do mundo”.
Talvez tenha demorado um pouco para o músico conquistar o Brasil, mas os dois shows esgotados no estádio comprovam que ele está numa ótima fase com os brasileiros. Entre as faixas mais tocadas por aqui, em ambas as plataformas de streaming, estão “DMTF” e “Nuevayol”. Confira outras curiosidades sobre DtMF, que completa um ano de puro êxito:
Porto Rico em foco
O título já entrega o tom: Debí Tirar Más Fotos é um exercício de nostalgia e um retorno das origens de Benito. Fotografias que não foram tiradas viram metáforas para relações, lugares e identidades em risco de desaparecer. Ao longo das 17 faixas, Bad Bunny revisita a infância, a família, os amigos e, sobretudo, a ilha — tratada não como pano de fundo, mas como protagonista. “É um lembrete para mim mesmo: valorize mais os momentos e as pessoas a sua volta”, declarou o artista de 31 anos, em entrevista ao New York Times.
Tradição (e reinvenção) sonora
Plena, bolero, salsa e outras referências à música caribenha tradicional atravessam o álbum. “Eu sempre acreditei na música latina, não só no meu gênero, mas em todos eles. Meu propósito é mostrar os ritmos de Porto Rico; estou criando um novo som com a minha voz e estilo. Os jovens podem pensar que esse tipo de música tradicional é para gente velha, mas quando você cresce, começa a apreciar e entender mais”, disse o artista ao New York Times.
Participações locais
O disco reúne nomes da cena local, como os jovens da Escuela Libre de Música, a cantora de indie pop RaiNao; os rappers Omar Courtz e DeiV e a banda Chuwi. Da música tradicional, o grupo Los Pleneros de la Cresta, formado pelos músicos autodidatas Joseph, Joshuan, Jeyluix e José Román, trazem a plena para “Café con Ron”.
“Eu sempre soube que eu poderia ser grande e bem-sucedido sendo porto-riquenho, com a minha música, com a minha gíria, com a minha cultura, com tudo. Então eu trabalhava para alcançar o máximo de lugares possível, mas ao mesmo tempo mantendo a minha essência e as minhas raízes”, continuou na mesma entrevista. Antes de começar a turnê mundial, que não inclui os Estados Unidos, o artista fez uma residência de 30 shows em Porto Rico.
Audiovisual caprichado
Dias antes do lançamento do álbum, Benito lançou um curta-metragem com Jacobo Morales, cineasta porto-riquenho, criticando a gentrificação do país. O sapo-concho, animal típico da ilha que está em extinção, também faz parte de todos os visualizeres.
Os clipes chegam para reforçar a mensagem do álbum. Em “Turista”, interpreta um faxineiro limpando um Airbnb após uma hospedagem caótica. Em “La Mudanza”, Bad Bunny é perseguido por policiais enquanto carrega a bandeira de Porto Rico.
Residência em Porto Rico
“Este é um álbum de música porto-riquenha. Encontrei minhas raízes: o som que me representa”, afirmou à TIME. Antes da turnê mundial, que não inclui os EUA, o artista realizou uma residência de 30 shows na ilha. Na época, Bad Bunny disse temer que seus fãs corressem o risco de ser detidos pela ICE após apresentações em território estadunidense e, em seu discurso no Grammy, voltou a criticar publicamente a agência de imigração dos EUA.