Conheça Henrique Albino, que faz show em homenagem a Moacir Santos

27/01/2026

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Por: Pedro Figueiredo

Fotos: Divulgação/Hugo Muniz e Luara Olívia

27/01/2026

No próximo domingo (1/2), Henrique Albino e Amaro Freitas se juntam a 35 músicos para show em homenagem a Moacir Santos, no Vivo Música, em Recife. Na Noize #164, que acompanhou o disco Beleza. Mas agora o que a gente faz com isso? (2025), de Rubel, a redação entrevistou o músico.

O pernambucano Henrique Albino vivia preso na própria timidez até começar a usar a música como forma de expressão e a fazer disso o seu ofício. Multi-instrumentista, atua como arranjador e compositor para diferentes artistas da música nacional. Em Beleza. Mas agora o que a gente faz com isso? (2025) recebeu de Rubel a missão de elaborar os arranjos de cordas e sopros.

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Nascido em Recife e criado em Olinda, o músico teve como primeira influência o irmão mais velho, Emmanuel Lima, que, ao ingressar no curso de Música na faculdade, apresentou as obras de Hermeto Pascoal, Stockhausen e Stravinski ao caçula.

Entre as influências que carrega em sua música estão nomes como Bobby McFerrin, Sun Ra e Steve Coleman, que, aliadas às instruções do irmão e às informações que buscava nos livros, ajudaram a formar sua identidade musical.

“Lá em Recife, se você for músico, você vai tocar na rua, vai tocar frevo, choro, samba e maracatu. Conforme esses gêneros da rua foram me chamando, comecei a escrever os arranjos para as orquestras de frevo de rua,” explica o músico, que compôs as primeiras canções por volta de 2009. Desde então, já escreveu para Maestro Oséas, SpokFrevo Orquestra e Elba Ramalho, entre outros.

Um homem, mil projetos

Requisitado entre os grandes nomes da música brasileira, Henrique está em projetos como o álbum Caju (2024), de Liniker, no qual escreveu os arranjos executados pela Brasil Jazz Sinfônica na faixa “Ao Teu Lado”, da qual também participam Anavitória e Amaro Freitas.

Para a canção, ele apostou no que chama de simplicidade complexa. “É uma música com uma melodia simples, mas que tem muitos coloridos e passeia por muitas coisas. Essa é a filosofia da minha música,” sintetiza o artista.

O músico também já colaborou com Lia de Itamaracá no álbum Ciranda Sem Fim (2019), Elza Soares em Deus É Mulher (2018), Alaíde Costa em O Que Meus Calos Dizem Sobre Mim (2022) e Di Melo em Imorrível (2016). Mariana Aydar, Flaira Ferro e Martins são outros artistas com quem já trabalhou.

Além disso, ele está rodando o Brasil com o Sonora Brasil, apresentando o espetáculo Apejó. “É o encontro da minha música com a música de Surama Ramos e Mãe Beth de Oxum. A gente está viajando por todos os estados do Brasil com esse espetáculo de música afrofuturista,” explica sobre o show, que mescla música eletrônica, música contemporânea e música afro do coco de umbigada.

No Henrique Albino Quarteto, o artista toca sopro, acompanhado de sanfona, baixo e bateria, envolvendo a plateia nas performances. E há também a Orquestra Carnaval dos Espíritos, que pode ter várias formações a depender do momento e homenageia o arranjador pernambucano Moacir Santos.

Por fim, ele também tem o Festival Música Tronxa, que define como a música que desafia quem compõe, quem interpreta e quem ouve. “É um conceito que eu inventei para colocar a música de Arrigo Barnabé, de Hermeto Pascoal, de Stravinski, essa coisa que causa um estranhamento, mas que emociona do mesmo jeito, ela se conecta.”

Encontro estético

O convite para colaborar com Rubel surgiu através do trabalho no álbum de Liniker, por uma indicação de Julio Fejuca, produtor de Caju. Henrique conta que recebeu do carioca a mesma confiança que teve ao trabalhar com a cantora, cuidando dos arranjos e da regência da orquestra.

“Foi um trabalho muito bom de fazer. A orquestra entrou nas minhas loucuras, porque eu não sou um regente convencional, não sou aquele cara sinfônico. Sou da orquestra de frevo, das orquestras de grupo de percussão. E quando eu levo essa dinâmica para dentro da orquestra, eles estranham, mas a galera da Orquestra Sinfônica Brasileira abraçou completamente.”

Essa foi a primeira vez que Henrique e Rubel trabalharam juntos. O músico pernambucano não conhecia a obra do fluminense, mas passou a se aprofundar nela com o contato praticamente diário que tinham ao longo do processo de produção do disco.

Inicialmente, Rubel queria apenas as cordas nas canções; a sugestão dos sopros partiu de Henrique. “Ele gosta muito de Gil Evans e eu também, é uma das minhas grandes influências. E aí a gente começou a bater essa bola. No final, acabou ficando mais a orquestra, que era a ideia inicial dele, mas em algumas faixas tem sopros.”

Para escrever os arranjos de cordas, o músico busca referências na escrita do brasileiro Heitor Villa-Lobos e do ucraniano Serguei Prokofiev. “Fui utilizando esses sentimentos diferentes assim, também de [Claude] Debussy, ou seja, essas harmonias que eu coloco lá são uma mistura de impressionismo com essa escola russa, com essa onda brasileira contemporânea, que são influências que me pegam muito também.”

O primeiro arranjo feito para o projeto foi uma introdução para “Feiticeiro Gozador”, aprovada de primeira por Rubel, que havia dividido Amoroso (1972) e Fina Estampa (1994), de Caetano Veloso, como referências, que Henrique absorveu, acrescentando, como de costume, suas “tronxurinhas”.

*Esta matéria foi publicada originalmente na revista Noize #164 que acompanha o disco Beleza. Mas agora o que a gente faz com isso?, de Rubel, lançado pelo Noize Record Club.

Henrique Albino homenageia Moacir Santos – Vivo Música

1 de fevereiro de 2026

Parque Dona Lindu – Avenida Boa Viagem, s/n, Recife, Pernambuco

Entrada gratuita

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27/01/2026

Pedro Figueiredo