Por meio de capas icônicas de discos, o artista Bruno Faria reconta a história da MPB. O pernambucano explora diferentes mídias e temas em seu trabalho, agora, foi a vez da música, com a instalação Introdução a história da arte brasileira 1960-90, em exibição no Itaú Cultural (SP) até 15/2, que revisita quatro décadas da música com 168 álbuns que marcaram época.
“As artes visuais e a música sempre caminharam juntas. O mais legal é ver um artista, com toda sua criatividade, transmitindo em imagem o espírito daquele disco. A instalação traz tanto artistas que fizeram diversas capas quanto aqueles que apenas atenderam convites pontuais”, comenta Bruno, em entrevista à Noize.
Foram três anos de produção até tirar a instalação do papel, da pesquisa até o garimpo dos discos selecionados. Por lá, o público pode ver Opinião (1964), de Nara Leão; a estreia de Maria Bethânia; o álbum colaborativo Tropicália ou Panis et circensis (1968), Clube da Esquina (1972), de Milton Nascimento e Lô Borges e muito mais.
Com capas assinadas por artistas como Guto Lacaz — Televisão (1985) —, Hélio Oiticica — Legal (1970) — Décio Pignatari — Todos os Olhos (1973) — e Samico — Aralume (1976) — “Não sou um pesquisador de música brasileira, mas meu álbum favorito da exposição é A peleja do Diabo com o dono do céu (1979), do Zé Ramalho, que tem um trabalho visual impressionante”, conta Bruno.
Depois de entrevista com o Bruno, a redação visitou o espaço, acompanhada por Edson Cruz, coordenador de Artes Visuais e Acervo. No bate-papo, ele confessou que o clássico Secos & Molhados (1973) é o seu álbum favorito em exibição. “As capas dos LP’s são telas de obras de arte”, diz Edson.
Touch (it’s art)
Em uma sala em formato de U, os 168 discos estão expostos em prateleiras de madeira. Logo na entrada do espaço, o visitante consegue mexer e colocar para tocar na vitrola alguns LP’s selecionados. A instalação se divide em dois momentos: de contemplação e de escuta. Em todo tempo, um monitor fica no espaço, explicando como manusear o LP e o toca-discos. “São várias pessoas que veem e nunca mexeram em um LP! Então tem uma orientação”, diz Edson.
Antes de chegar ao Itaú Cultural, a exposição passou por uma galeria, na Praça Benedito Calixto. Com um aumento significativo de público, a instalação precisou ser adaptada. “Antes as pessoas podiam mexer em todos os discos, mas o movimento era menor”, comenta Bruno.
Durante nossa visita, Edson aproveita para contar algumas curiosidades da instalação. O álbum As Aventuras da Blitz (1982), da Blitz, por exemplo, foi censurado pela Ditadura Militar. A etiqueta do verso diz: “Por terem sido vetadas pela censura, as duas últimas faixas do Lado B foram intencionalmente inutilizadas”, e as faixas foram riscadas.
“É um exercício bacana e desafiador, mas é possível ter uma noção da nossa MPB nessas quatro décadas representadas na instalação. Essa geração de músicos e artistas visuais fizeram parte da história da música brasileira”, diz Edson.
A musa da Tropicália, Gal Costa, é uma das artistas que mais se repete na instalação, com 10 álbuns expostos: Gal Costa (1969), Gal (1969), Legal (1970), Fa-tal (1971), Índia (1973), Cantar (1974), Água Viva (1978), Profana (1984), Lua de mel como o Diabo gosta (1987) e O sorriso do gato da Alice (1992).
Introdução à história da arte brasileira 1960-90 no Itaú Cultural
até 15 de fevereiro de 2026
Av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo
Entrada gratuita