
A Loomer saiu na NOIZE #34, na seção Bandas Que Você Não Conhece. Agora, no Na Íntegra, você pode ler a entrevista completa com a banda.
Entrevista: Gustavo Foster
Fotos: Thiago Piccoli
Tem sido comum na música a idolatria de cenas que aconteceram sempre duas décadas antes (por exemplo, o amor aos anos 80, em 2000). A moda dos anos 90 já começou. Vocês veem isso positivamente? Como isso pode influenciar a cena musical que vem por aí?
Loomer: Acreditamos que, na música, essa “revisitação” se deve ao acesso milhões de vezes mais fácil. É só lembrar do tempos das “fitas”. Existem muitas bandas ótimas dos 90 que não tiveram o devido reconhecimento, porque não tiveram a devida abrangência. De dez amigos, é certo que no máximo dois tiveram uma fitinha com Dinosaur Jr ou Jawbox gravados. Hoje, é tão mais fácil… e de repente quem nunca ouviu, agora “descobre” e se apaixona por esse lado menos clichê, que é tão característico dos 90.
Existem coisas maravilhosas que a Sub Pop lançou, como Love Battery, Sebadoh, Red Red Meat. Mas a mídia lançou o Nirvana e o Mudhoney. Saca? Isso é mais acessível agora, é só baixar. E finalmente (demorou!) tá disseminando. Daí pra frente, tudo vira moda… até nas vitrines da Renner (o que explica as milhares de camisas e vestidos de flanela xadrez por Porto Alegre, ultimamente).
Existe um lado positivo nisso, sim, e uma ótima herança ficará. O indie rock nos 90 era em suma SINCERO, DESPRETENSIOSO e DESPREOCUPADO. Não queria vender camisetas, nem ditar moda, não queria acertar escalas técnicas nem ter solos inesquecíveis, era simples e instantâneo assim, como uma gorfada! E é isso que falta na música em geral hoje em dia: SINCERIDADE.
Como está a cena rock brasileira atual? E no RS? Vocês veem bandas boas surgindo?
Estão pululando bandas boas aqui no RS e no Brasil todo. Essa história de resgatar os 90 pode ser comprovada com muitas das bandas que estão surgindo ou finalmente dando as caras por aqui. A gente percebe batidas stoner, guitarras sujas e uma menor preocupação com aquele vocal “bonito” de banda de churrascaria. Mas daí a falar em cena, é difícil… Com o advento da internet, as bandas começaram a triplicar e com mais bandas veio uma competitividade terrível. Uma competitividade sem fundamento, que vai levar no máximo ao mainstream (que a gente carinhosamente chama de “tumba”).
Existem muitas bandas boas aqui no Brasil, e quando nós gostamos mesmo, nós fazemos questão de tocar com elas, manter contato, “seguí-las” e “retuitá-las” (modernidade, heinhô) e recomendar pra todo mundo. Só olhar lá nosso fotolog, nosso twitter e blábláblá. Nós costumamos divulgar shows de outras bandas que curtimos além dos nossos, assim como lançamentos de eps e todas as quentinhas que ficamos sabendo, no intuito de manter um circuito para esse público saudoso, que tanto se divertia na época dos zines e das fitas K7. Saca? Acho que se cada banda estabelecesse seus vínculos SINCEROS, e lutasse pelo menos um pouquinho por algo além de deu próprio pseudo-sucesso, as coisas funcionariam melhor. Se pelo menos um integrante de cada banda fosse ao show de alguma outra banda, aí sim teriamos uma cena. Também fica difícil criar uma cena com shows no meio da semana a preços tipo 10, 15 reais. A cena so funciona se for popular. Mas é o que temos, né…

E os festivais, no Brasil? Existem pessoas que realmente trabalhem para o rock, para a música?
Existem pessoas que trabalham para o rock e para a música sim. Mas existem festivais e festivais. A serem julgados de formas diferentes. Existem festivais que contam com patrocínios bem gordinhos, e essa grana deveria ser usada sim em prol das bandas, em forma de ajuda de custo, passagem, alimentação ou pelo menos um destes três fatores. É claro, também, que os seguranças, os técnicos de som e todos os envolvidos no festival têm que ganhar alguma coisa. Porém, a discussão se trata de momentos em que se instaura uma injustiça na aplicação da verba: quando você tem um artista que “estourou” pro mainstream, já ganha rios de dinheiro, prega a bandeira do “independente”, mas exige Jack Daniels e caviar no camarim… No mesmo festival em que uma ou várias bandas pagaram passagens do próprio bolso pra comer o pão que o diabo amassou (incluindo tocar pra meia dúzia de pessoas abrindo os trabalhos do festival) e tão ali, talvez até com mais empolgação e muitas vezes, levando mais público.
Existem muitas pessoas que trabalham pelo rock, e aposto que elas também não ganham muito (se é que ganham algo) pra isso, algumas destas pessoas se aglomeram em Coletivos, como o Fora do Eixo e o Macondo aqui do RS, entre tantos outros super importantes e ativos.
Vejo sentido em festivais, sim, torcendo para que um dia, num mundo perfeito, as bandas ganhem de igual forma, sem distinção de quem tem maior importância, ou mais público, ou mais QI. Onde o público fosse aberto e interessado em conhecer coisas novas. Onde a organização trabalhasse pelo melhor resultado, com o mesmo amor de uma confeiteira que quer fazer o seu bolo o mais bonito e gostoso e ganhassem por isso. Isso seria um festival INDEPENDENTE: independente de qualquer relação diplomática e independente de qualquer rabo-preso. E não venha me dizer que não existe… Como eu disse, nos anos 90 as coisas eram mais SINCERAS e funcionavam. Assim existiu o “Junta Tribo” e o “Começo do fim do mundo”.
Quem são os heróis de vocês?
Glenn Branca e seus discípulos: Thurston, Lee Ranaldo. O reverendo J. Mascis, o gênio incompreendido Kevin Shields e a tríade sagradas das baixistas KIM’s: a Gordon, a Deal e a Coletta. Também habitam nossos corações o grande Joe Santiago, o East Bay Ray, o Steve Albini e o Ronald Johns (do Flaming Lips, das antiga).
Quantos pedais vocês têm?
No ultimo ensaio contei 25. Mas já deve ter aumentado, porque o Stefano é um comprador compulsivo de pedais!
O que vocês já lançaram até hoje? Como isso foi lançado?
Até agora temos lançado apenas nosso primeiro Ep, chamado Mind Drops. Foi lançado em parceria dos tradicionais e importantíssimos selos independentes Senhor F (Brasília) e Midsummer Madness (Rio de Janeiro) em 2009. Foi lançado virtual, em mp3 mesmo pra baixar na Sessão Senhor F virtual, ou na nossa página no site do MMRecords. Além de termos disponibilizado as musicas para streaming no nosso myspace. Fizemos uma leva de Eps físicos tambem…pra distribuir e vender em shows. Aquela coisa artesanal: Imprime capinha, corta capinha, cola label, grava cd um por um e tal.
Agora estamos em estúdio…preparando nosso segundo Ep, que deve sair até o final do ano. Estamos também finalizando o nosso primeiro videoclipe oficial, da música Enough.
Quais são os projetos pro futuro?
Dominar o mundo. Just have fun!
COMO ASSIM o nome não é uma homenagem ao My Bloody Valentine?
Tá. Confesso que até pode ser por causa do MBV. Mas o nome Loomer é mais amplo…escolhemos mais pelo significado que é algo como “vulto”, “difuso”, confuso… que é como a gente define o nosso som. O MBV é uma grande influência, mas não tínhamos o intuito de nos rotular “shoegaze” desde o nome. Até porque nossas influências gerais vão de Dinosaur Jr e Sonic Youth a filmes trash como Evil Dead. E tudo isso respinga no nosso som de alguma maneira.