Milton Nascimento está de volta ao NOIZE Record Club com um disco inédito em vinil. Tarde (2025) reúne grandes sucessos do cancioneiro do artista em formato acústico, como “Clube da Esquina”, “Nada Será Como Antes”, “Beco do Mota” e “Saudade dos Aviões da Panair”.
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Algumas faixas foram lançadas nos EPs Nada Será Como Antes (2018) e A Festa (2018), mas três são gravações inéditas: “Peixinhos do Mar”, “Fazenda” e “Tarde”. Os assinantes do clube vão receber o LP verde translúcido com capa d’OSGEMEOS e a revista NOIZE #167.
Lado A
“A Festa”: Composta no fim dos anos 1980 e inspirada em “La Bamba”, a canção entrou – sem letra e como versão adaptada do tradicional tema folclórico mexicano – no disco Miltons (1989). Em 2006, já como “A Festa” e com versos de Milton, se tornou parte do repertório do disco de estreia de Maria Rita.
“Tarde”: A parceria entre Milton e Márcio Borges apareceu pela primeira vez em Milton Nascimento (1969). É um prenúncio da atmosfera que caracterizaria não apenas a obra de Milton como o período mágico do Clube da Esquina, inaugurado oficialmente pouco tempo depois: imagens poéticas poderosas, melodias sinuosas e uma margem borrada entre harmonias de MPB e Jazz.
“Cuitelinho”: De Milton Nascimento a Pena Branca & Xavantinho, de Nara Leão a Daniel – a amplitude das releituras dá a dimensão poética e histórica desse clássico caipira. A versão comandada pela voz de Milton e o violão de Wilson Lopes, despida e certeira, adiciona ainda mais profundidade e beleza a essa toada de um Brasil bucólico.
“Peixinhos do Mar”: A adaptação de Tavinho Moura para a Cantiga de Marujada apareceu em Sentinela (1980). Em Tarde, a percussão precisa e o violão dedilhado se entendem, enquanto a voz de Bituca surge suave e mântrica.
“Clube da Esquina”: Basta ouvir “Noite chegou outra vez…”, na voz de Milton, para que o ouvinte imediatamente seja transportado para a esquina sagrada que mudou a música brasileira para sempre no fim dos anos 1960. Espiritual e quase mística, mas tão humana; simples, mas refinada. O violão de Wilson Lopes é belíssimo, respeitoso e deixa a voz de Milton flutuar por esses versos imortais.
Lado B
“Nada Será Como Antes”: Um dos clássicos de Clube da Esquina (1972), a composição de Milton e Ronaldo Bastos é uma síntese perfeita da união entre complexidade musical e apelo pop.
“Saudades dos Aviões da Panair”: Aparecendo no ano anterior (com o nome “Conversando no Bar”) na voz de Elis Regina, a composição de Milton e Ronaldo Bastos é parte do repertório do álbum Minas – e, em Tarde, os múltiplos elementos da versão original do disco de 1975 dão espaço para a habilidade dos dedos violeiros de Wilson Lopes. A extinção de uma companhia aérea – resultado da perseguição do regime militar e de seu entreguismo ao capital estrangeiro – se transforma em tema e pano de fundo para uma nostalgia emocionante.
“Beco do Mota”: Etérea, caminhante e mais uma dobradinha Nascimento & Brant, a canção do disco Milton Nascimento (1969) é uma homenagem ao espaço localizado no coração do Centro Histórico de Diamantina. Os versos metonímicos que, progressivamente, entoam que Diamantina, Minas e o Brasil são o Beco do Mota ganham ainda mais força na versão intimista de Tarde.
“Cio da Terra”: A parceria entre – nada mais, nada menos do que – Milton Nascimento e Chico Buarque é uma ode aos ciclos e aos ensinamentos da natureza. Ritualística e de compasso serpenteante, é um clássico do cancioneiro popular brasileiro.
“Fazenda”: Composta por Nelson Ângelo, é a tradução poética-sensorial de uma infância no interior de Minas Gerais e abre os trabalhos no disco Geraes (1976). Imageticamente riquíssima e com personagens, cenários e elementos sagrados à memória, seu forte componente nostálgico encontra novas formas de expressão em uma versão com apenas voz, violão e coros arrebatadores.
“Clube da Esquina 2”: Lançada a princípio como versão instrumental no disco clássico de 1972, ganhou letra após as investidas de Nana Caymmi. Uma dádiva: Márcio Borges compôs alguns de seus versos mais tocantes e brilhantes para uma melodia que, por si só, já era espetacular. Em Tarde, o dedilhado de Wilson Lopes é capaz de dar conta de toda a atmosfera da canção, enquanto a voz de Milton, como sempre, transforma a audição em uma experiência transcendental.