O que você faz no seu tempo livre? A sexta edição da pesquisa Hábitos Culturais, do Observatório Fundação Itaú, em parceria com o Datafolha, elencou as atividades culturais dos brasileiros — entre as favoritas, está ouvir música.
A prática foi citada por 85% dos entrevistados. Depois da música, os escolhidos são o consumo de filmes (74%), séries (70%), eventos ao ar livre (61%) e podcasts (54%). Os institutos conversaram com 2.432 pessoas, de 16 e 65 anos, em todo o país.
Ouvir música lidera com folga o consumo cultural doméstico, reforçando a preferência crescente por atividades remotas desde a pandemia. A presença das plataformas digitais também segue em expansão. 87% dos entrevistados acessaram serviços de vídeo sob demanda nos últimos 12 meses — um salto de 19 pontos percentuais desde 2023.
A Netflix é a mais usada (64%), seguida por YouTube Premium (33%). O uso é mais intenso em capitais e regiões metropolitanas (91%), entre os mais jovens (98% dos que têm até 44 anos) e entre pessoas de maior escolaridade e classe econômica.
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Apesar dessa preferência por atividades digitais, a pesquisa mostra que 45% dos brasileiros foram a pelo menos um show no último ano. Essa é uma das atividades favoritas, perdendo apenas para eventos ao ar livre. Ainda assim, a percepção de falta de oferta cultural nas cidades também caiu. Em 2025, 37% dizem sentir ausência de atividades culturais onde vivem, a sensação é mais forte em municípios do interior (40%) que em capitais.

Os maiores desafios
As dificuldades financeiras aparecem como a principal barreira para acessar atividades culturais presenciais. 34% dos entrevistados apontam o custo como maior entrave — sobretudo mulheres (36%) —, sendo o preço dos ingressos o fator mais citado (22%), seguido pelo gasto com transporte (19%).
A insegurança e o medo da violência são mencionados por 31% da população. Entre eles, 47% temem furtos ou assaltos dentro dos espaços culturais; 42%, a falta de policiamento; 28%, riscos no trajeto; e 23% mencionam insegurança no transporte público. Entre as mulheres, 28% ainda destacam o receio de assédio ou violência de gênero.