Sob o lema “meteção de louco e dominação mundial”, a Rockambole quer chacoalhar a cena indie paulistana — e vem conseguindo. Acompanhando de perto o surgimento de novas bandas, a plataforma se divide entre casa de shows (desde 2022) e gravadora (desde 2016).
A entrada na Rua Belmiro Braga, na divisa entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena, esconde um oásis. Com bar, coreto e um pequeno teatro, com capacidade para 450 pessoas, o palco da Rockambole é ponto de encontro de artistas e apaixonados por música.
Por lá, passaram artistas consagrados, como Arnaldo Antunes e Samuel Rosa, nomes que despontam na cena, como Eliminadorzinho e Pelados, e até a visita ilustre de gente como Ca7riel & Paco Amoroso, que colaram por lá para ver um show.
Fundada em 2016, a Rockambole é comandada pelos sócios Ygor Alexis El Hireche, Luiza Gonçalves, Gabriel Dantas e Pedro Henrique Marques Robes, que são o coração pulsante e a alma do projeto. Em 2025, a Casa realizou 220 eventos.
O próximo rolê já tem data, anota aí: o Fest da Firma está marcado para este fim de semana (13 e 14/12). Com 14 atrações, a programação traz artistas do selo e convidados, como Gastação Infinita, PH, Caio Weber e Concha [ingressos aqui].
O selo
A Rockambole nasceu como selo musical e produtora multimídia. A empreitada veio quando Ygor decidiu sair do seu trabalho e seguir um sonho antigo: trabalhar com música. Reformou um quarto na casa da mãe, em Guarulhos, e lá surgiu seu primeiro escritório.
A sede funcionava, inclusive, próxima ao prédio da Kondzilla. Aprendendo na prática, levaram muito som para a cidade na região metropolitana e depois encontraram uma sede no Tatuapé, zona leste da cidade, até chegar à casa em Pinheiros.
Hoje, o selo soma 11 artistas: O Grilo, PLUMA, AQUINO, BAD LUV, Reolamos, Caju, Besouro Mulher, ALD’S, TEIMA e Martin. Além dos brasileiros, há os espanhóis da Lake Placid. Algumas bandas, como O Grilo e PLUMA, estão desde os primórdios do selo.
Marina Reis, vocalista do PLUMA, comenta: “O senso de família sempre foi o grande pilar da Rockambole, não existe competição entre as bandas, a gente divide o mesmo baterista com O Grilo, por exemplo, trabalhamos com nossos melhores amigos”.
Diego Vargas, também do PLUMA, brinca que sempre que um novo artista entra na Rockambole é o clima parecido de um aluno novo que entra na escola: “É como um novato, a gente chega junto, quer conhecer e já integrar nos grupos [risos]”.
“O grande pilar da Rockambole sempre foi o senso de família entre as bandas. Competição na música não faz sentido. Esse é um espaço de entretenimento, mas também de fortalecimento da cena, somos o primeiro palco de muita gente”, diz Ygor.
A Casa
A redação chegou na Casa Rockambole às 11h de uma quarta-feira. Para quem está acostumado a comparecer nos shows e nas festas noturnas, é uma nova experiência olhar o espaço vazio, cheio de árvores frutíferas e pássaros em volta.
A Casa, como explicam Luiza e Ygor, nasceu para fortalecer o selo. Desde o início, eles queriam que o conceito fosse mais do que uma gravadora e um trabalho de agenciamento para novos artistas, mas sim toda uma comunidade entre bandas e público.
Antes de ser a casa da Rockambole, o espaço para shows se chamava Centro Cultural Rio Verde, mix de casa de shows e estúdio. “Em 2019, fizemos um show de lançamento do Grilo aqui, e eu só pensava: ‘Imagina que incrível se a Rockambole fosse aqui, né?”, relembra Ygor.
Mas, foi só no ano seguinte, que começaram as negociações para sublocar o espaço, na época administrado por Kiki Vassimon e Gustavo Stroeter. Quando o Rio Verde fechou em 2021, a Rockambole se tornou a nova dona do espaço, mantendo o legado.
Foram mais de seis meses de reforma, do telhado despedaçado a conserto da parte elétrica, até a inauguração oficial em março de 2022. Neste dia, inclusive, uma chuva intensa causou alagamento no espaço, mas eles não se deixaram abater. “Foi o nosso batismo [risos] só fortaleceu nossa operação”, relembram Luíza e Ygor.
Nos primeiros meses de Casa, os sócios assumiram diretamente as funções de produção, curadoria e operação. Hoje, essas atividades foram delegadas para outros, assim Danilo Leonel, Nuno Nunes e JP Cardoso assumem a curadoria de shows e festas.
Quem curte música reconhece Danilo, ou Mancha. A Casa do Mancha, localizada na Vila Madalena, zona sul, de SP, encerrou suas atividades em 2021, mas deixou marca na cena paulistana, como ponto de encontro para artistas e fãs fissurados por novidades na música indie. Danilo morava na casa e decidiu abri-la em 2007, para festas e shows.
Hoje, Luíza administra a Casa Rockambole, enquanto Ygor está à frente do selo. “Não são 100 metros rasos do indie, é maratona dobrada [risos] A gente quer que todo mundo comemore as conquistas dos outros, a gente agrega pessoas da mesma filosofia”, dizem.
O que vem por aí
“Meu sonho é que a Rockambole dure muitos anos. A gente quer fazer história. A programação da casa é construída coletivamente e dialoga com outros espaços que também movimentam a cena independente – é a galera que faz a festa acontecer”, diz Luiza. Entre outras iniciativas com mais match, para eles, estão a Balaclava e Casa Natura.
Neste ano, a Folha de São Paulo premiou a Casa Rockambole na categoria “custo-benefício”. Agora, Luiza mira em um prêmio de curadoria para se expandir como um centro cultural completo, trazendo programação de artes plásticas e teatro.
O sonho de Ygor é o crescimento sustentável do selo, mantendo a qualidade e engajamento dos artistas e do público. Ele quer continuar atuando no lançamentos e turnês dos artistas, afinal, o que move a Rockambole, de 2016 até hoje, é a boa música.
Fest da Firma
Datas: 13 e 14 de dezembro (sábado e domingo)
Local: Casa Rockambole – Rua Belmiro Braga, 119 – Pinheiros, São Paulo
Ingressos: via Meaple