Tutti Frutti celebra São Paulo com Lucinha Turnbull e clássicos de Rita Lee em show histórico

22/01/2026

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Por: Damy Coelho

Fotos: Divulgação/Leandro Godoi, Reprodução Instagram

22/01/2026

No próximo domingo (25/1), o Blue Note recebe o Tutti Frutti com Lucinha Turnbull para celebrar os 472 anos de São Paulo. A lendária banda, que acompanhou Rita Lee em álbuns como Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974) e Fruto Proibido (1975), tocará hits como “Ovelha Negra”, “Agora Só Falta Você” e “Menino Bonito” e promete surpresas — incluindo participações especiais, como Kiko Zambianchi, como adiantaram à Noize [veja ingressos abaixo].

Este será o primeiro reencontro do grupo com Lucinha desde 1974. Reconhecida como a primeira mulher guitarrista do Brasil, a ex-integrante se juntou a Luiz Carlini em uma entrevista que revisita a formação do Tutti Frutti e seu papel fundamental na consolidação do rock brasileiro no mainstream.

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Rock ultra popular

“Lembro de ouvir todo mundo cantando junto ao solo de ‘Ovelha Negra’ num estádio. Aquilo foi demais”, recorda Carlini. Antes de tomarem as rádios, o Tutti Frutti nasceu com Luiz Carlini, Lee Marcucci e Emilson Colantonio, que formaram a banda de rock psicodélico Lisergia. Com a saída de Rita Lee dos Mutantes, ela uniu forças com a amiga, Lucinha Turnbull, no projeto Cilibrinas do Éden.

O projeto durou apenas três shows — por sorte, você pode conferir o áudio de uma dessas apresentações no YouTube. Porém, elas sentiam que precisavam de uma banda, especialmente para tocar o próximo álbum solo de Rita. “Fui eu que mostrei pra Rita os meninos. Tinha chegado de Londres e fui a um show deles, achei bem legal”, relembra Lucinha. 

Prolífica e com projetos diversos, Lucinha se esquiva da pompa de pioneira da guitarra. “Minha grande preocupação sempre foi tocar. É uma relação de muito amor à música”, conta. Ela ainda relembra a dupla Celma e Selma, que foi sucesso na Jovem Guarda e também tocava guitarra ainda nos anos 1960.

Mas as primeiras referências dela para tocar o instrumento foram, claro, os Beatles. Lembro de ouvir ‘I Wanna Hold Your Hand’ na rádio e ficar parada, imóvel. Eu tinha uns 9 anos e pensei: ‘eu quero isso’ [risos]. Não sabia se eles eram bonitos, feios, da onde vinham… eu só queria aquele som”, conta. “Pra mim, eles eram meus amigos!” [risos]. Minha primeira referência na guitarra foi o John Lennon. Aquela mão direita batendo nas cordas, no riff de She’s a Woman…”.

Carlini emenda: “O que eles faziam naquela época, sem a riqueza de equipamentos que temos hoje… aquilo é a mão de Deus”, resume. Os Beatles são uma referência em comum entre os dois — é quando o papo flui naturalmente entre as duas lendas do rock. Para a geração que cresceu sob o símbolo da paz e amor, o festival Woodstock também é uma referência, que ele conheceu pelas telas do cinema. “Eu tenho uma palheta do Woodstock, toco com ela sempre”, conta Carlini, me mostrando a palheta pela câmera. “Aquilo abriu um mundo pra mim. Foi quando o mundo deixou de ser preto e branco e ficou colorido”.

Aproveitando o momento entre fãs, retomo o papo para as nossas estrelas, lembrando que o solo de “Ovelha Negra” é considerado um dos melhores do rock brasileiro. Carlini lembra que o solo “baixou nele”. Ninguém pensava que a grande balada do disco Rita Lee e Tutti Frutti precisasse de um solo, mas ele chegou com a ideia no estúdio, tocou e deixou todo mundo em êxtase. Gravei o solo, queria mandar um drive, alguma coisa assim, mas nem tive tempo. O Andy [Mills, produtor] já foi tirando a fita da máquina e acabou” [risos].

Em tempo: perguntamos aos ícones da guitarra quais são seus riffs favoritos — e eles nos deram uma lista das boas. Carlini, por exemplo, ficou com a clássica “Hotel California”, dos Eagles. Lucinha mandou logo um TOP 3″: “And Your Bird Can Sing”, dos Beatles, “Jessica”, do Allman Brothers Band e “Mamãe Natureza”, do repertório do Tutti Frutti, tão clássica quanto as demais.

Celebrando Sampa

O Tutti Frutti tem laços indissociáveis com a capital paulista. A banda se formou no Pompeia, bairro da zona oeste, onde Carlini vive até hoje. No nosso bate-papo, lembraram shows icônicos, como o da inauguração do Colégio Objetivo e apresentações no Teatro Oficina, de Zé Celso, que fica no Bixiga.

O bairro também foi palco dos primeiros ensaios do Tutti Frutti, mais precisamente no Teatro Ruth Escobar. Foi lá também que fizeram uma temporada de três meses, com ingressos esgotados. “Também tocamos no Teatro 13 de Maio, e é um lugar muito especial pra mim porque foi onde vi os Secos e Molhados pela primeira vez”, lembra Carlini.

Uma época que rendeu boas histórias e boas músicas. É isso que o público pode conferir neste encontro, que marca a programação que celebra a capital paulista. 


Tutti Frutti – Luiz Carlini convida Lucinha Turnbull

25 de janeiro, domingo, 19h

Blue Note SP – Avenida Paulista 2073 – 2º Andar – Consolação – São Paulo/SP

Ingressos no site da Eventim

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22/01/2026

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Damy Coelho