Zaynara fala sobre devoção à música paraense; “O beat melody me dá liberdade”

25/11/2025

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Por: Vitória Prates

Fotos: Divulgação/Anthony Araújo e Tereza Maciel

25/11/2025

Zaynara é uma das novas divas da música paraense. Em um caminho pavimentado por outros ícones do brega, como Joelma e Viviane Batidão, a artista de 24 anos está apenas aquecendo os motores — e afirma: “O beat melody vai conquistar o Brasil”.

Ela se destacou no The Town e também no Amazônia Live, em outubro, quando se apresentou ao lado de Joelma, Gaby Amarantos e Dona Onete, abrindo para o show de Mariah Carey. Além disso, acaba de lançar o segundo álbum, Amor Perene (2025). Com produção de Márcio Arantes e feats de Tierry e Raphaela Santos, Amor Perene é uma festa. São 10 baladas românticas que pulsam com sintetizadores, sem esquecer da riqueza musical paraense. 

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Ela explica o disco fazendo referência à faixa de abertura: “Amor Perene é esse ‘Amazônia Menu’ [risos]. É tudo que ouvimos no Pará”, diz Zaynara. De fato, o álbum é um passeio por essas sonoridades: ao dar play, você encontra muito beat melody, arrocha, lambada, cumbia, tecnomelody e brega. 

De família musical — a banda Os Invencíveis, do pai, segue em ativa desde os anos 1960 — Zaynara nunca teve dúvidas que seguiria carreira na música. Em Amor Perene, ela é 100% autoral e apresenta composições que estavam guardadas, só esperando o momento certo. 

“Estamos vivendo um verdadeiro resgate da música nortista. Todo mundo merece conhecer nosso som”, comenta ela. Em entrevista à Noize, Zaynara disseca Amor Perene, com suas principais influências, a primeira experiência como compositora e a cena musical paraense. 

Já são três anos do lançamento de Beat Melody, seu álbum de estreia. O quão você cresceu como artista desta produção até Amor Perene?

Me vejo em constante evolução. Amor Perene é mais um tijolinho no meu caminho, somando com a música brasileira e paraense. Acredito que, todo artista que se preze, está em constante evolução e não se acomoda. Fico satisfeita com o bom trabalho, mas sempre penso que é possível melhorar. Estou feliz e satisfeita com tudo que vem acontecendo. Me sinto cada vez mais madura, confiante e dona de mim! 

Os visuais de Amor Perene já chegam caprichados, com cada visualizer com sua assinatura, como foi o processo de construir o mundo do álbum?

Desde o início da criação, o álbum era muito visual. Queria muito trazer a vivência dos rios, escrevendo as músicas, já imaginava o rio dançando e se mexendo com a canção, e tudo isso foi traduzido perfeitamente e de forma muito especial nos visuais pelos meus amigos.

Minha equipe consegue traduzir muito bem todas as ideias malucas que nascem na minha cabeça [risos]. Admiro muito o trabalho deles e todo universo do Amor Perene foi traduzidas nesses visuais. Cada música tem sua estética, que se relacionam uma com a outra. 

Amor Perene traz um amor real, sem idealizações, que, em diversos momentos, você compara com os movimentos de um rio. Como foi o processo de composição?

Os relacionamentos que vivemos, assim como os rios, passam por momentos de secas e cheias, mas o amor próprio, o cuidado da gente com a gente deve ser constante, como um rio perene, queria deixar essa mensagem com o álbum. É meu primeiro momento como compositora.

Sempre escrevi, mas guardei, dessa vez estou me mostrando. Me reuni com uma galera super talentosa e as músicas vieram de forma muito natural, de anotações de anos, Amor Perene aconteceu, foi um processo leve e muito bom. 

Quais foram suas principais influências/referências para Amor Perene?

São influências de uma vida inteira e que me formaram como artista. Tem metais do Mestre Cupijó, um grande artista da minha cidade, é um prazer ter isso no meu álbum, “Homem Perfeito”, da banda Calypso, que quando ouvi fiquei louca, sou muito fã. 

“Eu Não Gosto de Errar”, por exemplo, antes da música ficar pronta, juro que ouvi um violino e vi que a música pedia isso. Vou ficar redundante, mas realmente foi algo que aconteceu, nasceu de experimentos e tudo muito convicto com o que acredito. 

Amor Perene passeia por diferentes sonoridades. Como foi construir o som do álbum?

Gosto de como o beat melody me dá liberdade para experimentar. Nunca fui o tipo de artista que se contenta em entrar dentro de uma caixinha, seja na caixinha do beat melody, brega ou da música regional. Não sou artista que gosta só de música, também adoro fotografia, editar, atuar, são muitas coisas, e na música é a mesma coisa, gosto de experimentar. 

Amor Perene é esse “Amazônia Menu” [risos], tudo com raiz, mas tudo que ouvimos no Pará, que entra beat melody, arrocha, lambada, cumbia, tecnomelody e muito mais, tudo isso a gente encontra no meu álbum, porque é algo feito genuinamente no Pará, com muita verdade. Nem no meu primeiro álbum tive coragem de me prender a uma coisa só, assim como fiz no meu segundo e acredito continuar fazendo em toda a minha carreira, não me limito.

Com Amor Perene no mundo, quais seus próximos passos?

Quero muito fazer versões acústicas e ao vivo do álbum. Estou preparando um show e quero dizer que Amor Perene não acaba no disco, mas é um passo da minha nova carreira.

Em setembro, você participou do Amazônia Live e no The Town, ao lado de Joelma, Dona Onete e Gaby Amarantos. Como foi dividir o palco com elas?

Foi, e sempre é, incrível dividir o palco com elas, o ar fica até diferente [risos] Aprendo o tempo inteiro, é uma escola, uma experiência única encontrar Gaby, Dona Onete e outros artistas que tanto admiro, dar um abraço nela e ver como é sobreviver na selva que é a música, me sinto honrada só delas saberem meu nome [risos] não sei fingir costume! 

Você cresceu em uma família musical. Como esse ambiente influenciou sua decisão de também ser cantora? Sempre foi seu sonho seguir o mesmo caminho?

Não foi uma decisão difícil, na verdade, a arte, pra mim, é visceral, o artista não tem como fugir da arte, ela vive dentro da gente, de uma forma que não tem como explicar. Me formei em Nutrição, mas sabia desde o primeiro momento que eu faria o que pudesse para viver da minha música, levo ela muito a sério, desde muito cedo. Claro que ter o apoio dos meus pais e da minha família, ter alguém lutando comigo, fez toda diferença, me sinto muito abençoada por todos os santos, guias, Deus e o universo, que estão comigo. 

Você é uma precursora da nova música paraense, criadora do beat melody, uma mistura do brega local com pop. Como você define esse estilo?

Sinto o beat melody como um brega com frescor.

Eu sou brega, nasci brega, me criei no brega e vejo como uma grande oportunidade fazer o beat melody ter sua contribuição para a música feita na Amazônia, a música brasileira feita no Norte do país. 

A gente vê o gênero se popularizando cada vez. Como o beat melody pode conquistar o Brasil? 

O beat melody, junto com o movimento do rock doido, da música paraense como um todo, todo esse trabalho que já vem sendo muito bem feito por muitos artistas tem conquistado o Brasil. É dessa forma que acontece, de mãos dadas, a gente se fortalecendo e levando nossa música, com toda força e potência, para o Brasil e o mundo. 

Como você vê esse momento de reconhecimento nacional da cena musical paraense tão efervescente? 

Vejo com muito respeito e esperança de saber resgatar a potência que nós somos, da música feita no Pará, no Norte inteiro, é um momento de resgate, é algo quente, temos que ir com mais força ainda e todo mundo merece conhecer nosso som.

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25/11/2025

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