Alguns discos acabam se tornando ferramentas para avaliar a qualidade do seu sistema de som. “Há discos com gravações de alta qualidade que funcionam quase como guias de escuta: ‘preste atenção aqui nos graves’, ‘aqui na definição’, ‘aqui no timbre de voz’”, explica Marcos Abreu, engenheiro de som do Noize Record Club.
Clássicos internacionais como Brothers in Arms (1985), do Dire Straits, e The Dark Side of the Moon (1973) do Pink Floyd, são exemplos recorrentes. Mas, no Brasil, também há uma série de gravações que revelam as nuances de um bom sistema.
Segundo Abreu, o ponto de partida é simples: buscar discos com baixa compressão de dinâmica, onde os detalhes e variações de intensidade são preservados. “São nesses discos que os timbres aparecem com mais clareza e a música respira melhor.”
Ao longo do tempo, alguns títulos acabaram se consolidando como parâmetros informais, aqueles que audiófilos e profissionais recorrem para testar graves, definição, imagem estéreo ou presença vocal. Além de listar, Marcos compartilha orientações para audição, o que é preciso reparar.
A seleção a seguir não pretende listar “os melhores discos brasileiros”, nem necessariamente os mais bem gravados em termos técnicos absolutos. São, antes, trabalhos que carregam características sonoras particulares, capazes de evidenciar diferentes aspectos de um bom sistema.
Caetano Veloso – Meu Coco (2021) – os graves, principalmente na faixa “Não vou deixar”
César Camargo Mariano – Samambaia (1981) – um dueto maravilhoso de Piano Yamaha CP com o violão do Hélio Delmiro.
Egberto Gismonti – Dança das Cabeças (1977) – as percussões de Naná Vasconcelos, o som do piano do Egberto e o clássico som ECM.
Elis Regina – Falso Brilhante (1976) – um clássico sonoro, a voz de Elis no seu auge.
João Gilberto – Chega de Saudade (1959) *versão original – escute versão sem o reverber artificial adicionado nas versões remasterizadas. A voz e o violão do João na sua mais pura originalidade.
Luiz Melodia – Pérola Negra (1973) – um disco de timbres de época, restaurado ao seu original, sem modernidades, limpo.
Marcelo D2 – Acústico (2004) – é um disco de timbres variados, com voz e textos bem definidos.
Milton Nascimento – Sentinela (1980) – prestar atenção na faixa que dá título ao disco, com a voz da Nana Caymmi junto com Bituca.
Moacir Santos – Coisas (1965) – os sons dos metais em suas várias faixas, variações ,para escutar com detalhes.
Vitor Ramil – Ramilonga (1997) – repare nos timbres de violão de aço e nos vocais