A IA deixou de ser uma promessa distante na música para se tornar uma presença massiva (e silenciosa). Segundo a Deezer, 44% das faixas incluídas na plataforma são geradas por IA. Isso equivale a mais de 75 mil músicas todos os dias.
O dado, segundo Rodrigo Vicentini, General Manager da plataforma na América Latina, surpreendeu até mesmo quem acompanha de perto a transformação digital da indústria. “O ritmo impressiona mais do que o número em si”, diz, em entrevista à Noize.
Para lidar com esse cenário, a Deezer anunciou recentemente que desenvolveu uma ferramenta própria de detecção de faixas geradas por IA e passou a identificar esse tipo de conteúdo diretamente para o usuário. Essas faixas são excluídas tanto das recomendações quanto das playlists.
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Em janeiro de 2025, quando lançaram a ferramenta de detecção, o volume era de 10%, cerca de 20 mil faixas por dia. “Em pouco mais de um ano, cresceu 275%. Isso mostra que a IA é um desafio real para toda a indústria”. Ainda que o número chame a atenção, o consumo ainda é baixo, entre 1% e 3% das reproduções totais na plataforma.
Os dados acendem um alerta porque o público ainda tem dificuldade em reconhecer esse tipo de conteúdo. Em um teste cego realizado pela Deezer em parceria com a Ipsos, em oito países, 97% dos participantes não conseguiram distinguir uma música feita por humanos de outra gerada por IA. “Mudou totalmente nossa percepção sobre música”.
“Temos dois compromissos não negociáveis: proteger a remuneração dos artistas e ser transparentes com os usuários”, explica Vicentini. “Quando a pessoa tem informação, ela escolhe não consumir esse tipo de conteúdo”. Há uma demanda clara por transparência no público: 80% defendem que faixas geradas 100% por máquina sejam identificadas, 73% querem saber quando esse tipo de conteúdo é recomendado pelas plataformas e, no Brasil, 45% afirmam que gostariam de filtrar completamente essas músicas.