Nesta segunda-feira (20/4) o Brasil celebra o Dia do Vinil, uma data que carrega um significado especial para a música popular. Enquanto o resto do mundo celebra a data em 12/8 — marco associado à invenção do fonógrafo por Thomas Edison e oficializado em 2002 pelo Vinyl Record Day —, por aqui a homenagem acontece em referência a Ataulfo Alves, um dos grandes nomes do samba, que faleceu neste dia, em 1969.
Nascido em Miraí, Minas Gerais, em 1909, Ataulfo Alves traz a veia artística de casa, filho de Severino, violeiro e repentista. Perdeu o pai ainda criança e precisou ajudar no sustento da família, trabalhando em diversas funções. Mesmo diante das dificuldades, seguiu estudando e, mais tarde, se mudou para o Rio de Janeiro, onde começaria a trilhar seu caminho na música. Foi nas rodas de samba que chamou a atenção de compositores como Bide, que o levou à gravadora Victor e abriu as portas para sua carreira artística.
O primeiro grande sucesso veio em 1935, com “Saudade do Meu Barracão”, dando início a uma produção intensa e duradoura. Ao longo de mais de três décadas, Ataulfo escreveu mais de 300 canções, muitas delas gravadas por artistas importantes da época, como Sílvio Caldas, Dalva de Oliveira e Nora Ney. Entre seus clássicos mais conhecidos está “Ai, que Saudades da Amélia”, que se tornou um dos sambas mais emblemáticos.
Sua obra transita por diferentes temas, do cotidiano à boemia, passando por sambas românticos marcados por melancolia. Além de compositor, Ataulfo também se destacou como intérprete e foi pioneiro ao criar o grupo As Pastoras, ajudando a profissionalizar a apresentação do samba nos palcos e nos discos. Sua atuação também se estendeu à defesa dos direitos autorais, participando da diretoria da União Brasileira dos Compositores (UBC) e criando sua própria editora para proteger suas obras. A escolha do 20/4 Dia do Vinil no Brasil vai além de uma simples data simbólica. É um reconhecimento da importância de Ataulfo Alves na consolidação do samba e da música popular brasileira.
