Chambinho do Acordeon interpreta Luiz Gonzaga em novo filme: “Mudou minha vida”

21/08/2025

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Por: Vitória Prates

Fotos: Divulgação

21/08/2025

Nesta quinta-feira (21/8), estreia o filme Luiz Gonzaga – Légua Tirana. Dirigido por Diogo Fontes e Marcos Carvalho, o longa acompanha o caminho de Gonzaga rumo ao estrelato, da descoberta da sanfona na infância até se tornar o Rei do Baião. Assista ao trailer:

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Nascido em Exu, cidade no sertão pernambucano, Gonzaga levou ao mundo o baião e o forró. Ele morreu aos 77 anos, em 1989, deixando um legado que transcende fronteiras e gerações.

Três atores foram selecionados para viver Gonzaga em diferentes fases da vida. Kayro Oliveira representa o cantor na infância, Wellington Lugo, na adolescência, e o cantor Chambinho do Acordeon, na vida adulta. O elenco também traz outras estrelas, como Claudia Ohana e Tonico Pereira.

O próprio título, Légua Tirana, além da música homônima, faz referência a uma expressão comum na região, que significa caminhos difíceis e tortuosos.

A história do Rei do Baião já foi homenageada anteriormente no cinema. É o caso do filme Gonzaga: de Pai para Filho, que também traz Chambinho no elenco.

A pré-estreia em Recife, no início do mês, teve ingressos esgotados. A Noize conversou com os diretores e Chambinho do Acordeon sobre detalhes do filme e preparação para o projeto. Confira abaixo:

Diogo e Marcos, como foi o processo de pesquisa para o filme?

MARCOS: Bom, sou filho do sertão, apaixonado pelo sertão e pela cultura gonzagueana. O processo de pesquisa desse filme já nasce um pouco dentro da gente, porque todos já estão muito envolvidos. O que fizemos foi juntar esse amor com o barro do sertão do Araripe [onde o filme foi gravado], com talento de grandes mestres e alunos envolvidos no processo formativo. Essa junção resultou nesta obra e numa primeira instância no roteiro cinematográfico.

Foram diversas experiências que contribuíram com esse processo de pesquisa na feitura do roteiro. Em 2009, fizemos nossa primeira expedição no estado de Pernambuco com o projeto de Cinema no Interior e contemplamos a cidade de Exu, onde fizemos uma série de oficinas que resultaram no primeiro curta-metragem de ficção voltado à vida e obra de Luiz Gonzaga [Volta Para Casa Luiz].

Voltamos em 2010 e em 2012 com o mesmo projeto já instigados e provocados pela própria população local, que envolvia, nesse caso, pesquisadores do quilate de Bibi Saraiva e o grande Joquinha Gonzaga, que é sobrinho do Luiz e trabalhou com ele por muito tempo.

Nesse momento, já totalmente comprometidos, convidamos o mestre Tairone Feitosa para o roteiro, que convidou Edineia Campos, aluna das suas oficinas. Légua Tirana se baseia em relatos dos contemporâneos de Luiz Gonzaga, na literatura especializada, mas muito especialmente nessa vivência, e bebe dessa fonte da memória viva da comunidade do sertão, e em especial da cidade de Exu.

Acompanhei cada passo da construção desse roteiro, foram oito anos de imersão. Na memória do povo, encontramos uma vasta sabedoria da obra gonzagueana. Em 2018, entrou Diogo Fontes, que convidei para dividir a direção dessa obra comigo, nesse mesmo ano, nasceu o roteiro do filme.

DIOGO: Um ponto que eu gostaria de destacar sobre o roteiro(sem dar spoiler) é que ele é para quem curte Luiz Gonzaga e é conhecedor da obra. O roteiro é um grande deleite, um grande quebra-cabeça, onde percebemos letras de músicas que aparecem meio easter eggs no filme.

Também não posso deixar de citar o meu pai, Tairone Feitosa, um roteirista consagrado do cinema brasileiro, que foi quem conduziu esse processo e que tem um conhecimento profundo do sertão, do Nordeste, de toda a cultura popular riquíssima. É muita emoção e orgulho. Citando o filme do Breno Silveira, é, de alguma maneira, de pai para filho.

Luiz Gonzaga – Légua Tirana se diferencia das cinebiografias mais habituais. Quando falamos desse roteiro, falamos de um processo imaginativo que incorpora mitos. A gente não tinha acesso aos fatos, preenchemos com fantasia. E nesse sentido, de alguma maneira, o filme tem uma aproximação com o realismo mágico. A gente traz todo esse contexto, espectral, imaginativo, do sertão e incorpora isso à trajetória do Luiz Gonzaga.

A gente pode dizer que esse filme é também uma cinebiografia poetizada.

Qual a importância de contar essa história?

MARCOS: Nasci no sertão do Pajeú, vivo no sertão do São Francisco. Já nasci amando a cultura gonzagueana. Gosto de pensar o filme Luiz Gonzaga – Légua Tirana como um apoio cinematográfico, contar a história de Luiz Gonzaga é como estar regando uma árvore da cultura sertaneja.

Como diz Kayro Oliveira, nosso protagonista: “Gonzaga é o herói das crianças do sertão”. É muito significativo realizar esse filme.

Não se trata apenas de uma história sobre Luiz Gonzaga, é a voz do povo do sertão cantando uma canção em forma de cinema. Nós temos atores e profissionais que carregam na alma, esse espírito gonzagueano e que representam muito bem o Brasil profundo, o Brasil real.

Veja o elenco: temos Kayro Oliveira, que nasceu em uma comunidade indígena, um talento incrível onde, com certeza, Luiz Gonzaga habita. Wellington Lugo, que faz o Luiz Gonzaga na juventude, é um jovem que nasceu e vive na zona rural de Exu, tem a força do povo da roça para essa equipe tão bonita.

Chambinho do Acordeon, um mestre que transpira, que respira a tradição, que tem uma sanfona bálsamo, é um mestre generoso, talentoso, que agrega tanto ao nosso filme. Como dizia o próprio Gonzaga: “o sertão está em toda parte”. E agora está no cinema. Também, quero reforçar a importância desse filme ser realizado por uma produtora do sertão, por pessoas que vêm dessa região. O filme tem uma perspectiva de dentro para fora, alça voo no sertão e o conecta com o mundo.

DIOGO: Antes de tudo é pela dimensão do mito gonzagueano. Luiz Gonzaga é um mito não apenas nordestino, sertanejo, mas um mito que excede esse espaço geográfico e que atinge o Brasil inteiro. Também é um filme feito com muitos componentes pertencentes à região da Chapada do Araripe.

É muito bonito ver na tela pessoas que moram ali, que têm essa mesma origem. O Wellington Lugo é um filho da terra de Exu, como Luiz Gonzaga. Isso me toca profundamente, porque são papéis de destaque, não apenas figuração.

A produção também estabelece um diálogo com Luiz Gonzaga: de Pai Para Filho, do Breno Silveira. Eles não se sobrepõem, mas contam uma história que amplifica o mito gonzagueano.

Do ponto de vista estético e dramatúrgico, escolhemos retratar o sertão sob uma ótica da abundância, esverdeado, florido, pujante e sertão imaginativo, um sertão que, poucas vezes, é visto com essa beleza e grandeza — sem apelar para os estereótipos habituais da fome, da seca, da pobreza e da miserabilidade.

Chambinho, essa é a segunda vez que você interpreta Gonzaga no cinema. O que diferencia essas duas produções?

É sempre uma responsabilidade dar vida a esse personagem que é nosso grande Rei da música nordestina. Sempre sinto uma grande honra poder cantar, interpretar e falar de Luiz Gonzaga. ⁠Quando aceitei fazer o primeiro filme, muita coisa mudou, no sentido de conhecer o universo gonzagueano. E o que mudou de um para outro foi conhecer ainda mais a responsabilidade e agora a gratidão. Interpretar Gonzaga mudou minha vida — e com certeza amadureci muito como profissional mergulhado nesse universo

Como foi o processo de preparação para este filme?

Foi bem tranquilo, pois já tinha um Gonzaga adormecido, que os diretores trouxeram para cena de forma leve. Nesse filme minha participação não tem aquela carga do anterior e embora acredite que uma das minhas cenas seja bem emocionante, o preparo foi bem leve.

Como é sua relação com a música de Gonzaga?

Gonzaga é uma das maiores referências musicais que trago comigo. Além de admiração, eu me identifico cantando o forró que Gonzaga popularizou.

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21/08/2025

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Vitória Prates