Para além de “O Convite”: confira 4 trilhas sonoras assinadas por Blood Orange

14/07/2026

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Por: Giulia Cardoso

Fotos: Divulgação

O produtor, compositor e multi-instrumentista britânico Devonté Hynes, que se apresenta sob o pseudônimo de Blood Orange, é um artista conhecido pela ampla atuação musical. Tem 3 discos na bagagem — sendo o mais recente Essex Honey — e transita entre o R&B, pop e soul. Seu nome vem circulando recentemente também nas editorias de cinema, por ter assinado a trilha de O Convite.

O longa marca a colaboração do músico Devonté Hynes com a diretora Olivia Wilde neste longa-metragem de suspense. A trama acompanha um jantar de celebração em que tensões e segredos vêm à tona entre os convidados. Para a produção musical, Hynes desenvolveu composições ao piano e arranjos de cordas que entram e saem de cena em momentos estratégicos da história, acompanhando o desenvolvimento das personagens e o ritmo do enredo até o desfecho.

O artista também mantém suas atividades de estúdio como produtor fonográfico. Seu nome consta nos créditos de arranjos e produção de faixas e álbuns de cantoras do circuito pop e alternativo, como Lorde, Solange e Sky Ferreira. No primeiro semestre deste ano, Blood Orange realizou sua primeira apresentação em palcos brasileiros ao integrar a programação oficial do Lollapalooza Brasil.

Blood Orange ainda tem um catálogo de composições de trilhas sonoras para o cinema e para a televisão. Sua produção abrange desde a criação de arranjos orquestrais até a curadoria de identidades sonoras para filmes de diretores independentes. Confira cinco deles:

Palo Alto (2014)

No circuito cinematográfico, Hynes iniciou a assinatura de partituras de longa-metragens com a trilha de Palo Alto , filme dirigido por Gia Coppola e baseado nos contos do ator James Franco. A colaboração com a diretora repetiu-se anos mais tarde em Mainstream (2020), obra que investiga o impacto das mídias sociais e da cultura da internet. Em ambos os projetos, o músico combinou o uso de sintetizadores a arranjos instrumentais de piano para acompanhar o desenvolvimento dos personagens.

Queen & Slim (2019)

Em 2019, o compositor assinou a música de Queen & Slim, longa-metragem de estreia da diretora Melina Matsoukas. Para este projeto, Hynes estruturou uma partitura que transita entre elementos de música erudita, arranjos de cordas e composições de piano, dialogando com as canções de hip-hop e R&B selecionadas para a trilha sonora comercial do filme.

We Are Who We Are (2020)

No ano seguinte, Hynes migrou para o formato de séries de televisão ao compor a identidade sonora de We Are Who We Are, produção da HBO sob a direção do cineasta italiano Luca Guadagnino. Além das peças instrumentais originais criadas para a trama ambientada em uma base militar na Itália, o repertório incluiu a execução de canções do próprio repertório do Blood Orange.

Identidade (2021)

No filme de estreia da diretora Rebecca Hall para a Netflix, baseado no romance homônimo de Nella Larsen de 1929, Hynes desenvolveu uma trilha sonora minimalista focada no piano solo. O compositor produziu peças instrumentais inéditas para o longa-metragem e, para obter a sonoridade da década de 1920, gravou as performances de piano e manipulou os registros com gravadores de fita cassete e equipamentos analógicos, gerando distorções e ruídos de fundo no áudio original.

Além das composições autorais submetidas a esse tratamento de desgaste sonoro, a partitura incorpora rearranjos de obras clássicas pré-existentes, como as Gymnopédies, do compositor francês Erik Satie, para preencher os silêncios e a tensão racial da narrativa em preto e branco.

O Convite (2026)

Posteriormente, o músico assumiu a composição da identidade musical de O Convite, dirigido por Olivia Wilde. O single “Contentious Environment” foi lançado como amostra do material produzido para o suspense, utilizando a orquestração como condutora das reviravoltas do enredo. 

Na estruturação sonora para o longa-metragem de Wilde, Hynes estabelece uma dinâmica de controle com o espectador por meio do uso do piano. A partitura opera de forma pontual, surgindo e silenciando em momentos específicos da narrativa, sem a necessidade de manter uma atmosfera de suspense ininterrupta. A composição também incorpora elementos que um dos personagens principais evita utilizar até o desfecho da trama, gerando um contraste entre o tom de angústia e passagens de alívio cômico na construção audiovisual.

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Giulia Cardoso

editor