Lançado em 1998, Televisão de Cachorro marcou um ponto de virada na trajetória do Pato Fu. Embora a banda mineira já fosse reconhecida por sua criatividade e inquietação artística, esse álbum expandiu seu público, sem abrir mão da essência construída nos três discos anteriores. Já em pré-venda, os assinantes receberão em casa o LP grafite translúcido acompanhado da revista Noize #174.
Com melodias chiclete, refrões marcantes e uma produção que aproximava o grupo do universo pop, o quarto álbum de estúdio vendeu mais de 100 mil cópias em CD e consolidou a banda, hoje formada por Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Koctus, Xande Tamietti e Richard Neves, como uma das principais referências do rock nacional.
“O Pato Fu tinha aquele lado experimental e alternativo, mas Televisão de Cachorro foi o primeiro disco com uma pegada mais pop. A gente entrou no mainstream por conta dessas músicas”, conta o baterista Xande Tamietti. Faixas como “Canção Pra Você Viver Mais” e “Antes Que Seja Tarde” ajudaram a impulsionar esse sucesso e continuam marcando gerações.
O disco também marcou o início da parceria com o produtor musical Dudu Marote, conexão que se estenderia pelos dois álbuns seguintes, Isopor (1999) e Ruído Rosa (2001). A sua influência ampliou o horizonte sonoro do grupo, incorporando novas texturas e experimentações.
“As batidas diferentes e mais eletrônicas foram trazidas por ele, que foi responsável por dar uma vida diferente para o Pato Fu, mas sem perder a essência da banda. Isso foi um lado marcante na época em que o disco foi lançado”, completa o baterista.
Ao longo das 13 faixas, Televisão de Cachorro evidencia a amplitude das referências da banda. Além das composições autorais, o álbum estabelece diálogos diretos com outros artistas. A faixa de abertura, “A Necrofilia da Arte”, apresenta uma releitura de “Alfômega”, de Gilberto Gil. Já “Tempestade”, do grupo de Brasília Maskavo Roots, ganha nova interpretação com uma citação de “In Between Days”, do The Cure.

Destaca-se também a versão de “Eu Sei”, composição de Renato Russo. “Foi a nossa forma de agradecer a ele e à Legião Urbana, toda a força que eles nos deram. A gente poderia ter feito muita coisa junto, talvez, mas a música fica para sempre”, divide Fernanda Takai.
Quase três décadas após seu lançamento, o trabalho se consagrou como divisor de águas na história da banda. “Esse álbum nos trouxe equilíbrio e temperança. A gente conseguiu encontrar um formato que fosse a nossa identidade. Esse disco refinou o nosso conceito”, compartilha Ricardo Koctus, baixista do grupo.
TRACKLIST
- “A Necrofilia da Arte”
- “Antes que Seja Tarde”
- “Nunca Diga”
- “Eu Sei”
- “Licitação”
- “Vivo Num Morro”
- “Um Dia, um Ladrão”
- “Canção Pra Você Viver Mais”
- “Tempestade”
- “O Mundo Não Mudou”
- “Televisão de Cachorro”
- “Spaceballs, The Ballad”
- “Boa Noite”