Stefanie celebra Tássia Reis e a força das mulheres na rima durante WME 2026

23/06/2026

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Por: Giulia Cardoso

Fotos: Mariana Smania/Divulgação

Quem acompanha as engrenagens do hip-hop nacional sabe que certas caminhadas carregam o peso da própria história do gênero. Falar sobre Stefanie é falar de precisão, flow singular e persistência que ultrapassa os 20 anos de estrada. Cria de Santo André, a MC cruzou as últimas duas décadas sendo reverenciada como uma das maiores referências técnicas do rap brasileiro. No último final de semana (20 e 21/6) , ela ocupou o line-up Women’s Music Event (WME) como madrinha da edição que celebra uma década da plataforma. Ela também foi uma das atrações do show de encerramento, que também contou com NandaTsunami.

A conexão com o festival é antiga: Stefanie pisou na primeira edição do hub paulistano integrando o coletivo Rimas & Melodias. Retornar agora, sustentando o próprio voo solo, é a validação de uma engrenagem que ela viu começar do zero. “Para mim, é vitória”, conta a rapper em entrevista à Noize nos bastidores do evento. “Eu comecei no início dos anos 2000, então consigo ver o que aconteceu em todos esses períodos e o quanto as coisas estão evoluindo. Estamos ganhando espaço — claro que ainda não é o que a gente merece —, mas essa construção está sendo feita de uma maneira muito sólida e bem estruturada.”

Ao olhar para trás, a MC gosta de resgatar um termômetro muito claro de transformação: as ruas. “Lembro que fui fazer um pocket show no início da carreira e abriu inscrição para as mulheres batalharem na festa, mas não apareceu nenhuma. Hoje, a gente vê quantas meninas e mulheres estão na rua fazendo suas batalhas, rimando pra caramba. Isso inspira quem está de fora a olhar e falar: ‘Nossa, é possível’.”

O espetáculo mora nos detalhes

Essa solidez defendida por Stefanie se reflete em cima dos palcos. Em uma cena musical de cobranças desproporcionais, a percepção de que mulheres entregam performances dobradas ou triplicadas em termos de energia e apuro técnico é um consenso de bastidores com o qual a artista concorda plenamente. Para ela, no entanto, o grande segredo do domínio feminino sobre o palco vai além do esforço bruto; mora na sensibilidade minuciosa.

“A mulher ganha muito nos detalhes, ela tem o dom dos detalhes”, reflete a rapper, traçando um paralelo cotidiano. 

“Gosto de pegar o exemplo de uma casa. De repente, a mulher quer colocar uma almofada lá para fazer a decoração e pensa em coisas que ninguém veria. No nosso show a gente é assim. A gente quer trazer isso para tornar aquele espetáculo o mais bonito e potente possível. A gente ganha muito nisso.”

O parto de BUNMI e o ritual do vinil

Se a presença de palco de Stefanie foi lapidada nos anos de coletivos e participações de peso — que vão de Emicida a Mano Brown —, o público passou anos alimentando uma cobrança insistente por um registro cheio da artista. O retorno veio com BUNMI (2025), seu aguardado álbum de estreia solo. Descrito pela MC em conversas anteriores como uma verdadeira “gestação”, o disco demandou tempo, maturação e um profundo mergulho autobiográfico.

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“Eu participei de vários projetos e as pessoas sempre me cobravam: ‘Cadê seu álbum?’. E o BUNMI foi um processo de cura para mim, em que quis compartilhar experiências marcantes da minha vida”, revela. Colher os frutos desse trabalho, que ganhou corpo físico em formato vinil e colocou todos os holofotes voltados para a sua assinatura artística, tem sido um exercício de assimilação para quem sempre operou no corre do circuito independente.

“A gente sonha tanto com esse momento que, quando ele chega, fica até um pouco surpresa porque querendo ou não é um território novo. Mas ver que esse álbum chega de maneira positiva na vida das pessoas traz uma alegria que não tem preço. Tem a realização pessoal, claro, mas levar uma reflexão com a qual o público se identifica me deixa completamente realizada.”

Identidade na pele e na estampa

Para o show que encerrou a edição de 2026 do WME no centro de São Paulo, Stefanie escolheu um figurino que tem tudo a ver com o evento:  fez questão de exibir para as nossas câmeras a estampa com  rosto da cantora e colega de Rimas & Melodias, Tássia Reis. Mais do que um figurino, um manifesto político de afeto, irmandade e reverência geracional.

“Hoje é um dia muito especial e eu queria vestir a camisa de uma mulher com quem me identifico e que me representa muito”, conclui Stefanie, sorrindo ao apontar para a estampa. “A Tássia é uma pessoa muito especial para mim, que eu admiro demais, de quem sou fã e com quem tenho total conexão. Por isso, escolhi vir com ela hoje.”

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Giulia Cardoso

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