Nesta matéria, publicada na Revista Noize #77 que acompanhou o disco de vinil do BaianaSystem (2009) lançado em 2018, o artista soteropolitano Filipe Cartaxo nos conta o processo criativo de um dos maiores símbolos da banda. Sua criação envolve um processo colaborativo, pautado na arte e na memória.
Em 2009, quando pensamos em imprimir máscaras, buscávamos formas menos comerciais de comunicação. As gráficas rápidas já dominavam o mercado, mas, nelas, dificilmente podemos acompanhar o processo de produção de perto. E, pra nós, sempre foi importante o contato com o processo.
BaianaSystem retorna ao NRC com o vinil de “O Mundo Dá Voltas”
A arte digital fortalece o sentimento geral das pessoas que, cada vez mais, valorizam só os objetos em si, e não a sua feitura. Já não enxergamos a fabricação das coisas, mas é justamente aí que está uma série de valores humanos atribuídos aos objetos.
Nossas máscaras são feitas em serigrafia. Não é só uma troca de dados entre o computador e a impressora. Tem um cara misturando a tinta pra achar o tom certo, uma série de senhoras amarrando os elásticos e nos relatando as brincadeiras que fazem com as máscaras em meio à produção.
Cada uma adotando seu personagem, colocando no rosto a com a qual mais se identifica. Nisso, já foram feitas cerca de 35 mil máscaras. Obrigado, Seu Ricardo. Viva, Senhora Conceição!
A capacidade de nos vermos como iguais tem um simbolismo muito forte. É essa a imagem que se cria quando vemos centenas de pessoas “diferentes” usando a mesma máscara em um show. Acreditamos que a energia de cada um dos envolvidos no processo da sua confecção cria uma força enorme em seu simbolismo.
Por isso, produzimos as máscaras no mesmo lugar até hoje. É uma relação com o tempo. Uma relação com as pessoas que atuam diretamente na sua confecção. São mãos operando máquinas, fazendo coisas, criando símbolos e conexões.