Quase 50 anos depois, o Walkman conquista nova geração; entenda por quê

22/07/2026

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Por: Giulia Cardoso

Fotos: Reprodução

Em 1º de julho de 1979, a Sony lançava no Japão o TPS-L2, o primeiro modelo do Walkman. Criado a partir do chassi do gravador de fita cassete Pressman, o aparelho inaugurou a era da música individual em movimento e popularizou  o uso de fones de ouvido nas ruas. 

Contudo, o avanço das mídias digitais — a começar pelos CDs nos anos 1980 e, posteriormente, pelos MP3s e pelos smartphones — acabou escanteando a fita cassete. A Sony encerrou definitivamente a produção dos seus tocadores de fita cassete tradicionais em outubro de 2010, após mais de três décadas de história e cerca de 220 milhões de unidades comercializadas mundialmente.

Apesar da paralisação dos modelos analógicos originais pela gigante japonesa, o mercado fonográfico e de tecnologia testemunhou um aumento considerável nos últimos anos, com preços que variam entre US$40 e US$160 (aproximadamente R$220 a R$880 na conversão direta, sem impostos).

Isso é impulsionado pelo crescente interesse pela mídia física, especialmente por uma nova geração. Dados da Luminate (referentes ao primeiro semestre de 2026) revelam que cerca de 205 mil fitas cassete foram comercializadas nos Estados Unidos no período, integrando a reação das mídias físicas — que, juntas, registraram uma alta de 7,8% em vendas no país.

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Impulsionados por um movimento de detox digital e pela exaustão provocada pelas telas e feeds infinitos dos serviços de streaming, consumidores jovens e colecionadores redescobriram o apelo tátil de dispositivos analógicos antigos.

Atualizações modernas e a nova safra de players

Diante do desafio de encontrar aparelhos originais em bom estado — cujos preços no mercado de colecionadores atingem patamares elevados —, fabricantes de áudio e iniciativas independentes passaram a produzir reprodutores de cassete atualizados. Nomes como a gigante japonesa Toshiba (com a linha Aurex AX-W10C), a FiiO (com o modelo CP13) e marcas focadas no design retrô como a francesa We Are Rewind lideram o lançamento desses novos tocadores com suporte a Bluetooth e carregamento USB-C. Enquanto isso, a própria Sony mantém a marca Walkman restrita ao mercado de áudio digital de alta resolução em seu catálogo oficial.

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Os novos modelos do mercado preservam o mecanismo mecânico de reprodução e o apelo estético retrô, mas chegam equipados com recursos indispensáveis para o padrão tecnológico contemporâneo, com conectividade sem fio, substituição de pilhas por baterias recarregáveis e conexão direta com outros dispositivos para conversão e gravação de arquivos de áudio. 

A linha digital da Sony e o apelo emocional

Paralelamente ao ecossistema analógico das fitas, a própria Sony mantém viva a marca Walkman adaptada ao mercado de áudio de alta resolução (Hi-Res Audio). Linhas digitais recentes, como a série NW-WM1AM2 e o compacto NW-A306, utilizam o sistema Android e amplificadores digitais proprietários direcionados a audiófilos e consumidores que buscam isolar a experiência de escuta das notificações constantes dos smartphones.

Seja pela limitação deliberada de não poder pular faixas com um simples toque ou pelo desejo de colecionar um objeto físico tangível, o conceito de escuta intencional criado pelo Walkman em 1979 reaparece quase meio século depois como um refúgio em tempos de hiperconexão.

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Giulia Cardoso

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