Kaya Conky parte da história de dona de cabaré para explorar novas sonoridades em “Maria Boa”

08/06/2026

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Por: Pedro Furlan

Fotos: Mateus Aguiar/Divulgação

Maria Boa é uma das maiores figuras históricas de Natal, e o título do segundo álbum de estúdio da drag queen Kaya Conky, que cresceu e surgiu como artista em solo potiguar. Uma das drag queens mais ouvidas no mundo, Kaya ficou conhecida pelo funk com letras explícitas — mas, em MARIA BOA, a artista mergulha em outras sonoridades e abraça outros lados de sua personalidade, além de homenagear Natal e sua cultura.

“Quando a galera de Natal soube do título, todo mundo amou de primeira”, aponta a artista. “Porque é algo realmente muito presente na nossa cultura”.

Maria Boa foi dona do Cabaré de Maria Boa, estabelecimento aberto durante a Segunda Guerra Mundial, quando Natal era a cidade onde os militares americanos paravam a caminho do conflito em outros lugares no mundo. Vendo uma busca por entretenimento, a empresária abriu o Cabaré, que ficou conhecido também pelas apresentações artísticas e espaços para a cultura potiguar.

Quem conhecia a figura histórica e os lançamentos passados de Kaya já esperava que a homenagem de Maria Boa faria relação à sexualidade presente nesse espaço. No entanto, para a artista, o título é uma homenagem à feminilidade, à vulnerabilidade e à arte natalense.

Dentro de Maria Boa, Kaya Conky explora, para além do funk, o house, o dancehall, a bregadeira, o hip-hop e diversas outras sonoridades vistas como necessárias para apresentar ao público essa Kaya que vai além da imagem que ela havia construído para si mesma.

“Tenho noção que a construção de imagem da Kaya é de alguém que está bem ali na superfície”, conta a cantora, relatando sobre o que a inspirou a explorar outros lados de si mesma: “Para o público, a Kaya é da putaria, do funk, da safadeza e acaba”.

“Fiquei com medo de vir mais uma vez com putaria, acho que eu ia ficar com muito receio das pessoas cansarem de mim. Mas esse álbum traz tudo diferente”.

Com colaborações como Urias, S4TAN, Katy da Voz e as Abusadas, WES, Murilo Zyess, Luaa Florah e KATCHAWZ, MARIA BOA também dá destaque a outras vozes natalenses, como Taj Ma House, LEOA, Potyguara Bardo e MC Priguissa. 

“Todo o processo que envolve a galera de Natal vem para reforçar esse local do qual tenho muito orgulho. Sou apaixonada, sou fã e faço parte também da arte natalense”, afirma: “Além disso, são pessoas amigas que participaram da minha trajetória de construção artística e que me entendem melhor do que ninguém”. 

“Mistura de felicidade com saudade de casa”

Um dos temas mais pulsantes de Maria Boa é encarar os sentimentos de cara, sem se amedrontar — aceitando o acaso, como a própria artista diz na colaboração com a banda natalense de house Taj Ma House. E dentre os sentimentos que permeiam o disco, a saudade de casa é um dos destaques.

“Fui criança em Natal. Andei nas ruas de Natal quando eu era criança, literalmente cresci lá e assim me fiz artista”, relata Kaya Conky, fazendo paralelo com sua vivência atual em São Paulo: “Para mim, esse álbum é uma mistura da felicidade de estar aqui misturada com saudade de casa, sabe?”.

“Em Natal, além de Igor e Kaya, eu também sou filho”, aponta a artista sobre o que mais a faz ter saudade da capital potiguar: sua família. Um marco disso no disco é a faixa “Casa”, em que a artista toca uma tocante mensagem de voz de sua mãe, desejando-lhe boa sorte em um show.

Para Kaya, Maria Boa é uma homenagem a Natal, até por isso, que o álbum também vem com um desejo da artista para o mercado:

“Gostaria muito que artistas do Nordeste pudessem viver da sua arte dentro do Nordeste, sabe? Não precisar sair de lá para fazer isso acontecer de forma nacional”.

“A gente vive aqui, monta uma base de referências, de experiências e de perspectivas para criar nossa arte e as pessoas gostam. Depois disso, parece que chegou a hora de sair daqui”, aponta. 

Para ela, o disco tem uma mistura entre sensualidade, já conhecida pelo público, e momentos de maior nuance e vulnerabilidade, que abrem o caminho para que, a partir de Maria Boa, os fãs conheçam mais de Kaya Conky.

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Pedro Furlan

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